Pesquisar este blog

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Poema de Finados - Manuel Bandeira

(1886 - 1968)


Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.


Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.


O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.

(In Libertinagem, 1930)
Por Selma Coelho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário